Sabotador ou sábio?

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A discussão foi dura. Feia mesmo. Palavras agressivas foram ditas num momento de desentendimento familiar. A acusação de um colocava a culpa no outro e vice-versa. Para por um fim na discussão, o pai falou para a filha:

– Aqui é minha casa e são minhas regras. Se não estiver satisfeita, a porta é a serventia da casa.

Silêncio mortal. Depois o choro da filha. O pai pegou a chave do carro e saiu. A filha e a mãe ficaram sem saber o que fazer. A rispidez do tom e as ofensas ainda ecoavam na mente de todos, porque as palavras afetam e magoam. Palavras que afetam sem afeto, doem e machucam a alma e o corpo. Ambientes hostis que afetam sem afeto produzem doenças, dor e morte. Relacionamentos agressivos em que se ressaltam os gritos desencadeiam tremedeiras e desenvolvem comportamentos neuróticos e obsessivos. Como entender que passaria pela cabeça de uma mãe ou de um pai querer o mal da sua filha? Qual a filha que deliberadamente quer ofender o pai ou a mãe? Parte-se da premissa de que as pessoas têm boas intenções, principalmente, para com aquelas que amam. Por que então as ações não correspondem com as intenções? As ciências comportamentais podem explicar, mas para mudar o fenômeno a explicação não basta. No livro Inteligência Positiva (Shirzad Chamine) há uma explicação bem fundamentada do que ocorre com cada uma das partes quando o confronto de ideias leva a sensação de perigo real para os envolvidos. Isso faz com que a reação comportamental seja de luta, de fuga ou de paralisia. O pai agride verbalmente, é a luta, e depois sai de casa, é a fuga. A filha ataca com as palavras, é a luta, e em seguida chora, é a paralisia. Considere que nem pai, nem filha são predadores que representariam um perigo real para a existência um do outro, salvo em caso de psicopatia. As ações de ambos se voltam para um modo descrito como de sobrevivência que dá razão ao crítico que alerta para o perigo. Com isso, perde-se a capacidade de despertar em cada um o sábio para ver as possibilidades presentes num confronto de ideias. O livro fala de dez sabotadores, sendo o crítico o articulador principal. Cabe destacar a presença do sábio com seus poderes, muitas vezes refém do crítico. O sábio parte da empatia e avança para exploração da situação, caminhando para a inovação ao criar  perspectivas frente a uma situação diferente. Isso leva a pessoa a navegar por caminhos alinhados com a sua busca. Por fim, uma circunstância desafiadora conduz o sábio que existe em cada um a ativar ações alinhadas com as intenções. Diminuir o poder do crítico permite que surja o sábio. É fácil? Não, mas uma pausa para se conectar com a realidade e calar os sabotadores pode dar uma oportunidade a que surja o sábio.

Voltemos para a discussão entre pai e filha. Qual a razão que levou cada um a produzir dor no outro, se no fundo um somente quer o bem do outro? Um afetou o outro sem afeto, mas carregam dentro de si a intenção do AFETO. Os sabotadores internos descritos por Shirzad Chamine explicam, porém, as ações dependem de cada um. Depois que a tempestade criada passou, pai e filha se reencontraram. Cada um acalmou a sua dor deixada pelas agressões recebidas e proferidas. As marcas existem. As boas intenções alinhadas com as ações os reaproximaram.  Porém, cabe a cada um começar o trabalho de diminuir o poder dos sabotadores para que o sábio possa se sobressair. Nesse processo, a pausa para uma atitude consciente é essencial. Por isso o ditado, “enquanto um burro fala o outro abaixa as orelhas” é tão verdadeiro.

 

Por Moacir Rauber

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